Toscoland
Categoria: TXTs
Tags: HQ : HsQ : ilustras
fruto de uma explosão de desencanto & poesia oriunda deste ser que vos escreve, Toscoland é uma HsQ (“História sem Quadrinhos”) que apresenta o cotidiano de um universo tosco & aleatório, habitado por figuras esdrúxulas & corriqueiras. um lugar corrupto & desigual, onde o xulismo impera e os (poucos) gritos não são ouvidos. não, qualquer semelhança não é mera coincidência.
depois de uma temporada de experiências e leituras variadas — textos anarquistas, holísticos, hakim bey, magia do caos, inconformismo, sessões de ayahuasca, amores partidos, mallarmé, schoppenhauer e baghavad gita, minha mente entrou em curto. e durante o incêncido causado pelo mesmo, nasceu toscoland.
sem nenhum ensaio ou aviso prévio, armado unicamente com um canetão qualquer, por dois dias rabisquei folhas de sulfite, liberando sem dó formas & faunas mentais até então por mim desconhecidas. uma dezena de páginas depois, sem ter acesso à um scanner, a opção era fotografá-las com uma cybershot de 2 megapixels emprestada. fotos feitas, sem qualquer conhecimento da ferramenta, diagramei-os no photoshop e psicografei o texto, que saiu numa tacada só, com um mínimo possível de filtros & correções.
diagramação e textos ok, imprimi, em casa e em sulfite-padrão mesmo —afinal de contas, ser tosco era a essência do projeto. páginas porcamente grampeadas, mostrei pro pessoal que morava comigo, levei para o primeiro dia de aula do último semestre do curso de cinema e deixei-as umas semanas por ali, dando sopa na mesa da recepção. o volume gerou uma certa polêmica, principalmente pela presença de um dos meus personagens favoritos, o Pinto de Deus — “aquele que tudo vê, mas nada faz. apenas goza.”
a reação de todos que lêem Toscoland é similar: descontração, espanto, choque e risos (geralmente nessa ordem).
uns dois anos depois resgatei os PSDs, dei uma revisada, consertei coisinhas aqui e ali e, já no InDesign (também ser ter muita idéia do que fazia), rediagramei-a, mudando seu formato de A4 para A5 — tudo tentando manter o espírito tosco que impera a obra.
aos que ficaram curiosos, disponibilizo aqui os três primeiros (e até agora únicos) capítulos: “Querida, cheguei!“, “O Pinto de Deus” e “A Metalinguagem“.
depois da primeira leva, nunca mais fiz outros. talvez um dia faça. talvez não. como já diziam no Chaves: “o mais certo é: quem sabe?”



