à la Hakim Bey (Texto Em Aberto)

por bagadefente

(por nenhum motivo aparente, lembrei-me deste texto, iniciado provavelmente no final de 2005, num período intelectualmente cabeçudo, rebelde & experimental. o texto não está concluído & jamais o será, por isso postá-lo-ei aqui em partes, ao longo desta semana. relendo-o agora, vejo como amansei.)

I – Entro
eu bebo o delírio das ruínas ancestrais mergulhadas em gestos lascivos & inertes na Lama Cósmica. meu Tempo é inominado, meus atos são demasiados displicentes: corro dos cães infernais após enfiar sardinhas em seus rabos; preceitos morais (principalmente os católicos-cristãos) me causam ânsia, vontade de vomitar nos braços da freiras.
o Amor me estuprou quando eu era apenas uma criança, e deste trauma-paixão nasceu um Ser dionisiacamente apimentado, com todos os aromas proibidos do Oriente. a saliva deste arcanjo enfeitiça grávidas & videntes, emudece orquestras sub-atômicas e entorta garfos nas pseudo-alegres noites de natal. a transparência de suas atitudes causa repugnância na maioria das organizações neo-liberais chupadoras de sistemas monetário$.
cânceres inundados de luxúria pós-orgiásticas pululam de eras em eras (a cada 17 mil anos aproximadamente), apodrecendo grandes camadas sonoras de reprodução & carisma social. O Doce Nada a cada segundo se torna uma opção mais viável, talvez a única delas digna de crédito. a ausência das Graças não é mais uma hipótese, mas um arco-voltáico displicente & inevitável.
o Cataclisma é inevitável;
a Mudança, a Ruptura & toda a Desestruturação, são inevitáveis.