Toscoland

por Baga Defente

fruto de uma erupção de desencanto e poesia oriunda deste ser que vos escreve, Toscoland é uma HsQ (“História sem Quadrinhos”) que apresenta o cotidiano de um universo tosco & aleatório, habitado por figuras esdrúxulas & corriqueiras. um lugar corrupto e desigual, onde o xulismo impera e os poucos gritos são vazios.

depois de uma temporada de experiências e leituras variadas — textos anarquistas, holísticos, hakim bey, magia do caos, inconformismo, sessões de ayahuasca, amores partidos, mallarmé, schoppenhauer e a baghavad gita, minha mente teve um curto e em troca me deu toscoland.

de repente, por dois dias, com um canetão qualquer eu desenhei seres soltos por folhas sulfite, fotografei-os com uma cybershot de 2 megapixels, sem qualquer conhecimento da ferramenta, diagramei-os em páginas de photoshop e psicografei o texto, que geralmente saiam numa tacada só, com um mínimo possível de filtros & correções.

foram 3 edições naquele iníci de 2006, as duas primeiras no primeiro dia, a terceira no segundo.
imprimi em casa mesmo em folhas sulfite, grampeei, mostrei pro pessoal que morava comigo, levei para o primeiro dia de aula do último semestre do curso de cinema e deixei umas semanas por ali, dando sopa na mesa da recepção.

gerou uma certa polêmica, principalmente a presença de um dos meus personagens favoritos, o Pinto de Deus — “aquele que tudo vê, mas nada faz. apenas goza.”
a expressão de todos que lêem Toscoland é similar: descontração, espanto, eventualmente choque, e risos (geralmente nessa ordem).

algum tempo depois eu peguei, dei uma arrumadinha, consertei coissinhas aqui e ali e, já no InDesign (também ser ter muita idéia do que fazia), rediagramei-a, mudando seu formato de A4 para A5. tudo tentando manter o espírito tosco que impera a obra.

este é o primeiro volume, intitulado “Querida, cheguei!”.

depois da primeira leva, nunca mais fiz outros.
talvez um dia outros surjam.
talvez não.
o mais certo é: quem sabe?