Guardeinapos

por bagadefente

Sempre gostei de desenhar.

Lembro-me de quando era pequeno, com lápis e canetas rabiscava o que tinha pela frente, de listas telefônicas e caixas de sapatos à pessoas e paredes.

Alguns anos passaram e eu continuo gostando de desenhar.

Principalmente em lugares movimentados, conversando com as pessoas, tomando um drink.

De preferência em guardanapos. Daqueles universais, encontrados tanto em botecos quanto em restaurantes finos.

Aqueles que ficam num guardanapeiro, com as bordas dobradas, as vezes difícies de tirar sem rasgar.

Aqueles que, quando adolescentes, roubamos aos montes pra usar como seda.

Aqueles, que a gente pega sem presunção alguma, saca a caneta do bolso (de preferência a velha e boa bic preta), e manda ver, a esmo, sem muito pensar, absorvendo os temas, falas, cheiros, toda & qualquer forma de sensação, expressão que acontece ao nosso redor naquele único e inimitável momento. Pequena porção de caos pinçada & presa num pedaço de papel.

Depois de um tempo deixando-os soltos e livres por aí — como toda arte deve ser —, um dia eu comecei a colocá-los no bolso. Passei-os por um scanner e gostei do que vi. A coisa crua digital sobre a coisa crua orgânica, cruzamento de cruezas simulcontemporâneas.

Um dia eu “guardeinapos”.

E digitalizados, achei que seria legal compartilhar com quem quisesse aquelas pequenas pílulas de pensamentos aleatórios.

E fuçando nos meus bkps, achei este, feito alguns anos atrás numa pizzaria no interior, naqueles guardanapões que ficam debaixo dos pratos.

guardeinapos_lg_session

Como podem perceber, este desenho não é um “guardeinapo” original, pois passou por tratamentos digitais. Acho que foi minha primeira experiência com eles.

Acho curioso como os assuntos e situações abordados/acontecidos no momento se materializam — mesmo que simbolicamente — na obra.

Neste caso, por exemplo, a frase escrita foi dita por um rapaz de moto que enconstou e perguntou se ainda estava saindo pizza.

Quando foi informado que o forno já estava desativado, ele perguntou onde poderia encontrar outra pizzaria. “Acho difícil encontrar alguma aberta a essas horas”, respondeu alguém da mesa. “Muié grávida é o caraio!”, disse ele, agradecendo e saindo.

Este aqui, encontrado ao acaso num caderno, já tem o espírito dos guardeinapos: foi rabiscado, scaneado e pronto. Não foi o primeiro, mas pode ter sido um deles:

Não tenho idéia do contexto de seu surgimento, mas eu devia estar com fome.
Já este aqui, o mais recente, foi feito enquanto eu esperava o almoço num restaurante aqui ao lado:

Estes são alguns exemplos da série. Aos poucos irei postando novos e velhos Guardeinapos.

E você, já guardounapos?