(Os Enforcados) Na Casa de Galatea
por bagadefente
na casa de Galatea
o Amor a Arte
transcendem qualquer idéia
pois, se somos atores
em nossas próprias obras utópicas
ou na de outrem —
(nunca?) somos nós mesmos
mesmo quando ninguém.
se somos cartas marcadas
viciados dados no jogo
metafísico de alguém
apenas abelhas
apenas plásticas
bolas bobas
na roleta infinita
do eterno além
pequenos pedaços de carne
caçando línguas & bocas & dentes
para sermos devorados (por)
deuses inconscientes
chamas desmembradas em mônadas
desesperadamente buscando
serem ado(r/t)ados
ídolos frag
mentado & terrenos
mal-lavrados
por entre cortes & frames
suicidas da criação
sem medo ou receio
da imagem no espelho
trepando por entre p(l)anos
eremitas da paixão
vomitando vãs filosofias
tropeçando por entre prantos
quentes línguas vazias
num misto de exorcismo
melancolia
& utopia
por entre pinturas
& pixels
máscaras inacabadas pi(n)tadas
duma realidade fatigada
vaga
sim, não diga nada
deixe a sabedoria
do silêncio inócuo
percorrer estas madrugadas rasas
deixe-a cair fique
toda molhada de luxúria
& chuva
cavaleiros cósmicos cavalgando rodeados
pelos mesmos arquétipos pinçados
no centro da cruz
os enforcados.
Escrevi este poema depois de assistir ao filme “O amor segundo B. Schianberg”, mais recente longa de Beto Brant, estrelado pela grande amiga Marina Previato.
Originalmente uma série em 4 episódios para TV Cultura, o corte para cinema (na minha opinião) funcionou muito melhor, despertando em mim os questionamentos e as sensações descritas no poema.
Saí da sala de exibição com a frase inicial na cabeça. Anotei-a em um guardanapo para não me esquecer e deixei-a fermentando no subconsciente.
Alguns dias antes, eu havia pedido para minha companheira abrir para mim cinco cartas de tarot em forma de cruz. Na sequência, fiz o mesmo para ela. Descontando a posição das cartas, quatro delas foram as mesmas para nós dois. A única que se repitiu no mesmo lugar foi a carta central, “O Enforcado”.
