“Desconcerto para Destroços de Piano a Seis Mãos”

por bagadefente

Um dia Liza M. encontrou numa caçamba de lixo, nas proximidades de sua casa, no bairro das Laranjeiras no Rio de Janeiro, um piano, ou melhor, os destroços de um piano. Com ajuda de alguns passantes, a jovem levou-o escadas acima até a sua sala, onde ele foi cuidadosamente posicionado. À primeira vista, a carcaça pianística lembra uma estranha harpa presa a um suporte; uma estranha obra composta por cordas, metal & madeira.
Visitando-a dias depois, maravilhado com aquela peça, antes de partir resolvi registrar alguns acordes daquele incrível instrumento para eventualmente utilizá-los em alguma trilha sonora ou coisa que o valha. Sempre lo-fi, saquei meu celular, ativei o gravador de áudio do mesmo e comecei a puxar algumas cordas. Quase que por instinto, Liza M. e Thi N. se juntaram a mim e juntos, sem qualquer combinação prévia ou mesmo momentânea, começamos a executar uma peça musical aleatória, guiados apenas por nossos feelings & intuições.
Durante quase 30 minutos, epifanicamente, sem trocar qualquer palavra, apenas olhares, exorcizamos nossos demônios interiores numa espécie de catarse musical. Não só as cordas, mas também as partes de metal e madeira serviram como meio para nossa expressão primitivamente musical.
Para quem não presenciou, a magia do momento dificilmente poderá ser sentida em sua totalidade; na verdade, talvez pela baixa fidelidade da gravação e alto nível de experimentalismo, seja difícil até mesmo ouvir a peça em sua totalidade. Ouvidos sensíveis também deverão evitar a obra, mas se mesmo assim alguém quiser arriscar, recomendo a utilização de fones de ouvido para um melhor aproveitamento; se em algum momento a áudio lhe perturbar de mais, tire o fone e volte algum tempo depois —a obra — como toda que se preze — tem seus altos & baixos, seus erros & acertos.
Deliciem-se (ou não) com o “Desconcerto para Destroços de Piano a Seis Mãos”:

“Desconcerto para Destroços de Piano a Seis Mãos”