Poltergeist Machine

Categoria: MOVs
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(2007, DV, 02’32″)

Um registro crú do sobrenatural manifesto.

Certa vez, numa tarde qualquer de 2007, estava eu na sala do Macatum (antigo apartamento-QG que dividia com alguns amigos) esperando a máquina de lavar roupas cumprir o seu papel quando comecei a escutar estranhos barulhos.

A máquina não era das mais modernas e fora comprada usada, o que justificava alguns dos seus barulhos e manias. Estes podiam assustar novatos que presenciavam a mesma em funcionamento — o simples ato de centrifugar parecia um evento interestrelar, como se uma nave espacial estivesse pousando na área de serviço.

Nas primeiras vezes, confesso que fiquei assustado, achei que havia algo de errado, que não podia ser daquele jeito, mas depois de tancadas e mais tancadas de roupa suja, reparei que era apenas o jeitão dela.

Porém, naquela tarde qualquer de 2007, mesmo para os padrões “exóticos” da máquina, os sons que comecei a ouvir tinham um quê de diferentes. Pareciam um misto de estática de rádio com murmúrios, quase pedidos de socorro (imagino que algo similar ao filme White Noise, que eu não assisti — como quase todos da modinha de “novo terror” que assolou a primeira metade dos anos 00 — mas na época, o fato narrado me remeteu ao trailer deste filme).

Mesmo assim, ignorei os estranhos ruídos oriundos da máquina, imaginando que aquilo era apenas um forma de chamar atenção. Até que BEDLAM!, escuto um estrondoso som vindo da área de serviço.

Sem imaginar o perigo que corria, fui até o local averiguar o que havia acontecido. Estarrecido fiquei ao encontrar a máquina toda destrambelhada, fora do lugar, com a mangueira que a conecta à torneira solta, cuspindo restos de espuma por toda a área de serviço. Foi um cena chocante.

Relatei o fato aos outros moradores, que riram e me acusaram de estar doido de qualquer coisa no momento do acontecido. Não insisti na história (eles podiam estar certos) e a coisa ficou por isso. Curiosamente, relatos de luzes piscando sem ninguém para acendê-las ou apagá-las começaram a ser relatados pelos frequentadores do apartamento.

Dias depois o fato se repetiu com um dos moradores: ruídos estranhos seguidos por um estrondo e lá estava ela toda revolta, desconectada e blasfemando espuma pela mangueira.

Novamente falamos a respeito e preferimos ignorar tal fato — ele também podia estar louco de qualquer coisa quando presenciou tal cena. Até que precisei novamente fazer uso dos serviços dela…

Porém desta vez, com toda sagacidade que me é permitida, resolvi registrar a ação da máquina assombrada. Enchi-a com as roupas sujas, sabão e amaciante. Regulei-a e dei início ao seu ciclo, que levava cerca de uma hora. Como das outras vezes tudo transcorria normalmente até os 10 minutos finais, posicionei a câmera e fui para a sala — ficar olhando uma máquina de lavar roupas funcionando não é das coisas mais interessantes a se fazer. Cerca de 45 minutos depois os estranhos ruídos começaram. Peguei a câmera em minhas mãos e ansiosamente aguardei alguma manifestação sobrenatural.

Diante da minha presença, os ruídos pararam e ela parecia se comportar normalmente. Firme no asana, mantive-me ali, registrando a cena na tentativa de elucidar o mistério da máquina revoltada.

Diante de tal comprovação, não nos restava outra saída a não ser o bom e velho exorcismo. Acionamos um padre de confiança, relatamos o caso e ele imediantamente se prontificou (mediante o pagamento da “taxa Linda Blair” no valor de R$ 666,00) a expulsar o(s) espírito(s) maligno(s) que impediam a paz daquela pobre máquina de lavar roupas.

Para tal operação, precisaríamos fornecer, além do comprovante de pagamento da taxa, três peças de roupas brancas virgens (nunca usadas — uma para cada morador oficial da casa) e três dentes de alho (“pode ser o espírito de um vampiro”, disse o padre). Com tudo isso dentro da máquina (inclusive o comprovante), o padre despejou um balde de água benta e, mesmo sem sabão ou amaciante, ligou a máquina.

Ao contrário das outras vezes, desde o início do seu ciclo, ela começou a apresentar um comportamento perturbado, abrindo e fechando sua tampa, cuspindo espuma 360º e emitindo barulhos irreproduzíveis; até fogo dela saiu. O padre rezava antigas orações em latim, a cutucava com crucifixos e assim ficaram por cerca de duas horas, até que os espíritos da máquina, em sua última tentativa desesperada, mais uma vez rodopiou violentamente, arremessando sua tampa contra o padre, que por muito pouco se esquivou, evitando ter sua cabeça decepada.

A batalha acima descrita foi registrada em vídeo, porém, tal qual o ocorrido durante boa parte das gravações de Duque Dark, forças sobrenaturais afetaram o registro eletromagnético da mini-DV, resultando em imagens totalmente escuras e sem áudio.

Depois de todo o acontecido, para evitar maiores traumas, resolvemos nos livrar da máquina de lavar roupas assombrada. Mas o sobrenatural continuou se manifestando naquela área de serviço, como comprova este registro feito por mim utilizando um celular semanas depois do acontecido (reparem no intrépido Osso, ainda pequenino, investigando a situação de perto, sem medo do desconhecido).