Duque Dark

Categoria: MOVs
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(2005, DV, 05’17″)

“Duque Dark” foi minha primeira experiência audiovisual na função de diretor dentro do curso de cinema (na verdade um ano antes dirigi um outro curta que de tão genial nem título teve. preciso achar isso para gargalharmos juntos qualquer dia…)

depois de pronto, por algum tempo reneguei este filme (algo corriqueiro relacionado às primeiras obras). até que um dia percebi a beleza de sua tosquice e a importância da sua realização (e de todos os outros) no desenvolvimento do meu processo audiovisual interno.

era o primeiro projeto do segundo semestre de 2005 e precisávamos fazer um documentário. naquele momento, a última coisa que eu queria fazer era um documentário. eu era um ser totalmente ficcional, não via sentido algum em tentar “explorar e capturar a realidade nua e crua”. até porque eu (já) achava que qualquer documentário é uma espécie de ficção, visto que é fruto de uma visão seletiva e subjetiva de alguém. enfim…

na noite anterior ao pitching, uma fria noite de domingo, estávamos eu e meu comparsa Cícero tomando um cappuccino num café qualquer da cidade quando ele, sem pretensão alguma disse “se tu não quer fazer um doc, vamos então fazer um moc…”, ao que eu respondi “ótima idéia, Varaschin!”. precisávamos achar um tema, e rápido. terminamos nossos cafés e saímos rodando de carro pela cidade atrás de um bom motivo. conversa vai, conversa vem, “e se fizessemos um filme meio de terror, tipo uma rua assombrada?”, sugeriu um dos dois. “legal”. só nos faltava achar a rua ideal. “vamos pros lados do Cemitério Municipal, certeza que por lá vai ter”. rodamos até que as ondas do destino nos jogaram na rua ideal, de nome Duque de Caxias. era uma rua escura, toda de paralelepípedos, com alguns casarões mais antigos e um único edifício esnobe, poucas quadras abaixo do cemitério.

projeto escrito e aprovado, as filmagens se dividiriam em duas etapas: de dia, utilizando equipamento da escola, colhendo entrevistas com moradores e transeuntes; e a noite, com minha própria handycam, registrando imagens aleatórias na espectativa de capturar alguma manifestação sobrenatural. para facilitar isso, nosso processo criativo consistia em passar em um bar de rock que tinha ali perto, nos entorpecermos e sair cabaleando pela rua com a câmera na mão. fizemos isso umas 3 ou 4 noites, e a rua realmente tinha uma energia diferente das outras. isso ficou evidente quando retornamos lá durante o dia e descobrimos coisas curiosas, como o recente falecimento da dona do casarão, que se encontrava abandonado, assim como a antiga casa de frente para ele, que, mais estranho ainda, possuia um cachorro preto e manso a noite e outro, branco e bravo de dia, mesmo estando supostamente abandonada.

com todo o material gravado, na hora de digitalizar, um problema técnico destrui todo o material gravado durante o dia, restando apenas as imagens noturnas. por desencargo de consciência, tentei mais uma vez reviver o material diurno para, numa inspiração bressaniana, fazer um “Duque Light”, porém a tentativa foi em vão. diante disso, não restava outra opção senão deixar a bucha na mão do editor, o talentoso Arnaldo Belotto, que com um enorme poder de síntese montou o curta em poucas horas.