Guardeinapos
Categoria: JPGs
Tags: ilustras
(2007-2011, bic s/ guardanapos de papel, dimensões variadas)
sempre gostei de desenhar. lembro-me de quando era pequeno. pegava lápis, canetas e rabiscava o que via pela frente: listas telefônicas, caixas de sapatos, paredes, pessoas. os anos passaram e eu continuo gostando de desenhar. principalmente em lugares movimentados, conversando com as pessoas, tomando um drink. de preferência em guardanapos.
daqueles universais, encontrados tanto em botecos quanto em restaurantes finos. que ficam num guardanapeiro, com as bordas dobradas, as vezes difícies de tirar sem rasgar. aqueles que, quando adolescentes, roubamos aos montes pra usar de seda. que a gente pega sem presunção alguma, saca a caneta do bolso (de preferência a velha e boa bic preta) e manda ver, a esmo, sem muito pensar, absorvendo os temas, falas, cheiros, toda & qualquer forma de sensação, expressão que acontece ao nosso redor naquele único momento. pequena porção de caos pinçada & presa num pedaço de papel. é curioso perceber como os assuntos e situações abordados/ocorridos se materializam — explicita e/ou simbolicamente — na obra. este exemplo, feito anos atrás numa pizzaria no interior, num daqueles guardanapões que ficam debaixo dos pratos:
(como podem perceber, este desenho passou por tratamentos digitais. acho que foi minha primeira experiência nessa área, por isso desconsiderem-os).
a frase foi dita por um rapaz de moto que enconstou e perguntou se ainda estava saindo pizza.
quando foi informado que o forno já estava desativado, perguntou onde poderia encontrar outra pizzaria. “difícil encontrar alguma aberta a essas horas”, alguém respondeu. “muié grávida é o caraio!”, disse ele, agradecendo e partindo.
e depois de um bom tempo deixando-os soltos e livres por aí — como toda arte deve ser —, um dia eu comecei a colocá-los no bolso. um dia, eu guardeinapos.
e você, já guardounapos?

