Monique Maion “I Killed A Man”

por bagadefente

I killed a man

Em junho de 2010, durante uma série de shows pela Europa, Monique Maion e sua banda — Maurício Biazzi (Patife Band), Ladislau Kardos (Mamma Cadela) e Fernando Coelho (Seychelles) — acharam um tempinho e, em Londres, gravaram um EP com 04 músicas inéditas.

Ao longo de um mês de viagem, bastante material visual foi produzido: foto-sequências feitas por Daniel Nogueira de Lima, takes da Mon cantando — feitos por Coelho já pensando num possível videoclipe —, diversos registros de shows e um monte de vídeos turístico-pessoais feitos por todos lá presentes.

De volta ao Brasil, Mon me procurou e me ofereceu uma missão: transformar todo esse material — cerca de 25Gb de fotos & vídeos nas mais variadas qualidades & formatos — em um videoclipe para a música “I Killed a Man”, de autoria dela com Rodrigo Fonseca (também do Mamma Cadela).

Com dois agravantes: eu tinha (quase) uma semana de prazo. e liberdade total para fazer o que eu quisesse; ou melhor: conseguisse.

É óbvio que eu aceitei a missão (ainda mais depois de ter meu orçamento aprovado). =)

Com todo material em mãos, sem ter idéia do que fazer, comecei o longo & árduo processo de criação audiovisual. levei mais de um dia apenas para conseguir converter todos os vídeos, deixando-os com o mesmo codec, resolução, aspect ratio & coisas afins. esta etapa concluída, fui pra próxima: syncar os vídeos no qual ela cantava a música com a versão ainda sem mix da faixa. nisso, dois dos (quase) sete dias que eu tinha já haviam se passado. diante desta realidade, pedi auxílio ao parceiro Pozzitrev, que se encarregou de montar as foto-sequências e fazer experimentos cromáticos com os vídeos.

Tudo esquematizado, hora da diversão: começar a cortar, colar, cortar, colar: montar o vídeo propriamente dito. fritando com todo aquele materia na minha timeline, foi aí que visualizei o óbvio: a incrível possibilidade de aplicar a linha técnico-conceitual que permeia meu trabalho autoral, a “Vanguarda do Retrocesso”, que (resumidamente) consiste na utilização de material audiovisual — preferencialmente de baixa fidelidade — (se possível) gravado a esmo, sem concepções prévias — materiais de arquivo também são bem-vindos. este material deve ser tratado para adquirir aspecto de suportes “obsoletos”, como Super-8 e VHS. é possível também fazer o caminho inverso: gravar com estes suportes e trabalhar as imagens posterioemente, integrando-as a novos elementos através de sofisticadas técnicas de composição digital.

E assim foi: em dois dias fechei o primeiro corte e comecei a brincar de “destruir” as imagens. testes pra cá, testes pra lá e voilà!, eu tinha um caminho a seguir. curiosamente, semanas antes deste lance de videoclipe surgir, eu havia pedido — sem nenhum motivo específico — para um amigo que estava nos EUA me trazer uma placa para captura de vídeo analógica e, por causa da tal sincronicidade existente no universo, ele me ligou bem no momento em que eu quebrava a cabeça para simular (digital e realisticamente) a textura dos antigos VHS, dizendo que havia chegado e trazido as encomendas.a

Dai em diante foi só diversão. resgatei das profundezas de uma caixa empoeirada um antigo VCR, que misteriosamente funcionou sem maiores problemas. input pra cá, output pra lá, play, rec, foi. voltei pra montagem, acrescentei alguns videos feitos com celular do meu acervo pessoal pra usar como texturas, horas e horas de after effects, testes com o VCR e, nos 47 do segundo tempo, o vídeo estava pronto.

Agradeço a todos os envolvidos, colaboradores — em especial Igor Sales, Bruno Pozzi e Guilherme Turri — e, principalmente, à Monique Maion pela confiança. e ao Caveira, pelas ótimas imagens que tornaram o trabalho muito mais divertido!

Deu um baita trampo, mas confesso que fiquei orgulhoso do resultado.